Ricardo Pons studio

Anatomia de uma página que reserva

Como uma página de alojamento pede a reserva sem atropelar quem a lê — secção a secção, do topo ao formulário.

A versão curta

Uma página que reserva bem não é bonita por acaso. Tem uma ordem — topo que responde à dúvida certa, prova de que funciona e um pedido simples. Cada secção faz um trabalho e sai da frente.

  • No topo, responde à pergunta que trouxe a pessoa até aqui.
  • Mostra prova antes de pedir seja o que for.
  • Corta cada campo do formulário que não precisas mesmo.
Neste artigo

Muita gente trata a página de reserva como uma folha de estilo: escolhe uma foto grande, escreve um título com garra e espera. Depois estranha que ninguém carregue no botão. O problema quase nunca é o gosto — é a ordem. Uma página que reserva conduz a leitura por etapas, e cada etapa tem uma função clara.

O topo, o que se vê sem scroll

É aqui que a pessoa decide se fica ou fecha o separador. Tens poucos segundos e uma pergunta na cabeça dela: “isto é o que eu procurava?”.

O título

Responde à dúvida, não descreve o quarto. “Casa de campo a 10 minutos das termas” trabalha mais do que “Bem-vindo à nossa casa”. O primeiro diz onde estou e porque me interessa; o segundo não diz nada.

Quantas palavras

Chega para ler de relance. Se a pessoa tem de parar para o decifrar, já perdeste o embalo. Uma linha, duas no máximo.

No telemóvel

Metade das reservas nasce no telemóvel, muitas vezes na cama à noite. Testa o título nesse ecrã primeiro: se corta ou empurra a foto para fora, encurta-o até caber sem esforço.

O subtítulo

Uma frase para arredondar a promessa do título — a condição, o extra, o detalhe que fecha a dúvida. “Cancelamento grátis até 48 horas antes” resolve mais objeções do que três parágrafos de adjetivos.

A prova de que funciona

Ninguém reserva com base na tua palavra. Reserva com base na palavra de quem já lá esteve.

Testemunhos

Um testemunho vale pelo detalhe concreto, não pela estrela. “O anfitrião deixou o aquecimento ligado porque sabia que chegávamos tarde” convence mais do que “Tudo perfeito, recomendo”.

Com nome e rosto

Um testemunho anónimo pesa metade. Nome, primeira letra do apelido e, se a pessoa deixar, uma foto. Quanto mais real parece, mais trabalha.

Números concretos

“Recebemos 300 hóspedes no último ano” ancora a decisão. Diz que outros já confiaram e que a casa está rodada. Usa o número que tens, sem inventar.

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Um site que reserva

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O pedido, o formulário

Chegaste até aqui com a pessoa convencida. É agora que a maioria das páginas estraga tudo, a pedir demasiado.

Só os campos essenciais

Datas, nome, email. Telefone se for mesmo preciso para o check-in. Cada campo a mais é uma desculpa para desistir.

O que cortar

Morada completa, NIF, “como nos conheceu”, uma palavra-passe para criar conta. Nada disto precisa de estar entre a pessoa e a reserva — pede depois, se precisares.

Exemplo prático

Um alojamento nas Berlengas cortou o formulário de nove campos para quatro. As reservas diretas pelo site subiram sem mudar mais nada na página. O que sobrava não filtrava clientes maus — afugentava os bons.

Depois do clique

O trabalho não acaba no botão. Um email de confirmação que trata a pessoa pelo nome, com a morada e uma dica de chegada, é a diferença entre uma reserva e um hóspede que volta. A página abre a porta; o que vem a seguir é que faz a casa.

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